Depressão entre adolescentes: saiba por que os jovens são mais vulneráveis a essa doença

Depressão entre adolescentes: saiba por que os jovens são mais vulneráveis a essa doença

depressa

Durante a adolescência, os jovens passam por mais mudanças do que em qualquer outro momento de suas vidas. Nada será o mesmo – suas amizades, seus corpos, seus cérebros e a forma como se veem no mundo. Para muitos deles, haverão momentos de confusão, cansaço e tristeza.

Nos Estados Unidos, a prevalência da depressão entre adolescentes de 12 a 17 anos tem aumentado significativamente: de 8,7% em 2005 para 12,5% em 2015, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental do país.

No Brasil, embora não existam dados concretos sobre essa faixa da população, médicos e especialistas afirmam que o crescimento da depressão entre o jovens é uma realidade, e para piorar, muitos casos não são identificados e nem tratados, o que é preocupante, pois a depressão é uma doença grave, que além de afetar a qualidade de vida do jovem, pode levar ao suicídio.

Dados divulgados recentementes pela BBC Brasil indicam que, entre 1980 e 2014, a taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos aumentou 27,2% no Brasil. Estes dados só mostram como é importante estarmos atentos aos nossos adolescentes e o porquê estão adoecendo.

O que leva os adolescentes à depressão?

As condições que levam uma pessoa à depressão podem variar. Traumas psicológicos, perdas, predisposição genética e até um desequilíbrio químico no cérebro podem contribuir para o desenvolvimento da doença. No entanto, em alguns casos ela pode aparecer sem nenhum motivo aparente.

A seguir, elencamos os fatores de riscos que deixam os jovens mais vulneráveis ao desenvolvimento da depressão. Afinal, o conhecimento é uma das armas mais importantes para prevenir e combater a doença:

1 – Sensibilidade aguçada
À medida que os jovens entram na adolescência, eles começam a expandir a capacidade de se verem através dos olhos de outra pessoa. Com os centros sociais do cérebro em pleno funcionamento e um aumento na oxitocina, o “hormônio do amor”, os adolescentes tendem a se tornar mais conscientes de si mesmos e começam a pensar sobre o tipo de pessoas que querem ser e como podem transformar o mundo em que vivem. Essas mudanças são positivas, porém a desvantagem é que os jovens se tornam mais sensíveis ao que outras pessoas, particularmente seus pares, pensam sobre eles.

A aceitação é importante para qualquer um de nós, mas se torna muito mais relevante durante a fase da adolescência. Dessa forma, quando um adolescente não se sente aceito por outras pessoas, ele pode se sentir profundamente magoado.

2 – Mais pressões do que se pode suportar
Exigências que vêm de amigos, família, escola, futuro (quem eu vou ser?), sexo, álcool e drogas podem representar um momento confuso na vida dos adolescentes. Durante a adolescência, os jovens experimentam a independência dos pais, enquanto buscam por orientação e aceitação de seus pares. Isso é saudável e significa que eles serão capazes de fazer coisas corajosas e verão o mundo de outros ângulos, mas também assumirão riscos e serão persuadidos a experimentar coisas que nem sempre serão boas para eles. Assumir riscos e experimentar coisas novas pode ser algo corajoso, mas também pode levar a incidentes que causam rupturas emocionais.

3 – Desconexão com os amigos
As amizades são vitais para os adolescentes, mas podem estar repletas de mágoa. À medida que os jovens entram na adolescência, eles se tornam mais vulneráveis ​​à exclusão, ao bullying e à rejeição – tudo em um momento em que se sentir conectado aos seus pares se torna mais importante do que nunca.
Um dos principais acontecimentos na adolescência é a independência dos pais. À medida que os adolescentes experimentam isso, sua necessidade de conexão com os amigos aumenta. Quando estão desconectados de seus pares, uma tristeza intensa e contínua, raiva ou autodúvida podem abrir uma vulnerabilidade ao surgimento da depressão.

4 – Mídias sociais podem ser traiçoeiras
Os celulares e as mídias sociais podem abrir o mundo dos adolescentes a novos horizontes, mas também aumentam o risco de ciberbullying e interações negativas – fatores que deixam os jovens vulneráveis à depressão.

Nossos adolescentes são a primeira geração a passarem pela adolescência com as redes sociais ao seu lado. Eles terão que aprender lições difíceis que que envolvem questões como exposição sexual, cyberbullying e a facilidade de cometer erros.

Os jovens sabem como navegar por essa tecnologia, mas não sabem necessariamente se autopreservar e avaliar as conseqüências positivas e negativas de suas decisões. A tecnologia pode ser uma coisa maravilhosa e ao mesmo tempo uma maneira de os adolescentes machucarem uns aos outros.

6 – Uma cultura pop que implacável com a aparência
Pesquisas mostram que quando são exibidas imagens idealizadas de mulheres a meninas adolescentes, elas ficam mais infelizes com seus corpos e mais propensas a ter depressão e ansiedade.
Nossos adolescentes são frequentemente assaltados com imagens de “perfeição” em todos os lugares por onde olham. Em um período em que os corpos estão mudando, a pele não anda muito legal e eles estão tentando descobrir quem são e onde se encaixam no mundo, é compreensível que possam se comparar com o as imagens de pessoas confiantes, felizes e despreocupadas que aparecem na mídia.
Até mesmo nós, adultos, podemos cair nesta armadilha. No entanto, o risco da depressão entre os adolescentes é maior, porque eventualmente eles se desconectam de seus seres reais e sentem um vazio muito grande, enquanto tentam ser parecidos com essas pessoas idealizadas.

E finalmente…
A depressão é cega e imparcial – realmente pode acontecer com qualquer um. Por algum motivo (provavelmente muitos motivos), a depressão parece florescer durante a adolescência. Em um momento em que o mundo começa a se abrir aos adolescentes, para muitos, ele se desliga.
Ao estarmos cientes dos fatores de risco da depressão, podemos trabalhar para limitar os riscos aos nossos adolescentes o máximo que pudermos. Afinal, eles merecem prosperar e sentir a vivacidade que vem com a aprendizagem e descoberta da vida adulta durante a fase da adolescência.